terça-feira, junho 07, 2011

Pensamentos

-------É claro que sou de esquerda e acredito na reforma agrária, em universidade publica de qualidade, condições dignas de seres humanos para todos os seres humanos, e mais uma multidão de ideias e vontades tipicos de um ser humano digno. Mas dessas ideias à sua implantação política real há um abismo enorme, não simplesmente por sermos acomodados, ou "alienados", ou simplesmente escrotos. Mas pela condição em que se encontra o engajamento. O ambiente universitário, por exemplo, é um meio onde desnudamos o mundo sem sentir o peso dele, ao menos nunca em sua totalidade. É quando entedemos o mundo a nossa volta, mas não sentimos as suas consequencias. É quando bebemos cerveja nos bares, mas não pagamos a conta, é quando rodamos com a polícia por conta de um beck, mas não perdemos o nosso emprego, é quando nos responsabilizamos pelo mundo, mas não temos responsabilidade por nós mesmos. Claro que não posso falar por todos os universitários e muitos escapam dessa descrição que acabo de dar da nossa condição, mas apesar de não ter as estatísticas exatas, acredito quea maioria dos universitários empregados, como eu, não moram sozinho e não pagam suas contas, além de muitos dos que moram sozinho também não pagarem as suas contas. E quando falo contas, me refiro a reais responsabilidades de uma vida adulta: Água, luz, telefone, gás, (se possivel) gasolina, (se possivel) prestação do apartamento, enfim, há também uma grande lista. A alienação a que fala o ambiente universitário, refere-se a esta, como uma displicência, o que em parte é verdade, mas trabalho alienado, na pratica, são uma série de restrições a liberdade do individuo em nome da liberdade do individuo. Pois é através da venda de nossa força de trabalho que temos o dinheiro que possibilita bancarmos as escolhas de nossas vidas. Claro que há muitas variantes em torno desta proposição simplista, mas de uma forma ou de outra são uma variação dela.

quinta-feira, maio 26, 2011

Encontro

Pensar, procurar, não saber
E mesmo assim fazer,

é coisa que gente faz
ao acordar, ao dizer amor;

É como encontrar o termo
de um teorema perfeito
E não distinguir seu valor.

Procurar o pretérito perfeito
o futuro do sujeito,
E ter o mesmo dissabor,

É matéria de humana existência,
abstrata reincidência:
unívoco frio para dois cobertores.

Embora às vezes se escuta
uma incongruência aguda
cheirando a conhecimento.

É quando então percebemos
o rota do próprio sereno
em meio multidão de ventos.

sexta-feira, maio 06, 2011

Em toda parte sertão

É tempo que passa e não fica
É tempo que fica e não vai
a lua com toda sua lírica
E o vento no seu leva e traz

Sou moço que vem da cidade
nascido e criado sem chão
caminho os meus passos sem passos
Por terra que não é terra não

não é vento que traz o meu frio
nem o sol é o que traz meu calor
sou moço fantasma e sem fio
nas telas de um computador

E assim por esses ventos vazios
Vou chorando o que não vou viver
Singrando noitadas a fio
Lembrando um passado não meu

E como se fosse uma vida
E como se fosse a verdade
escuto as historias antigas
E delas que sinto saudade

vislumbro esse chão ressequido
mandacaru, bala e fuluor
cangaço, chiado e serpente
e festa com santo no andor

A corda da viola dançando
O lume no céu estampado
a moça em todo seu encanto
É festa ai meu deus obrigado...

terça-feira, fevereiro 08, 2011

confissão

Quando a presença habita a ausencia
fico calmo, fico tranquilo
É assim numa tarde calma
É assim em um dia bonito.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Apt. 1103

as coisas fulguram pela casa
sofás, cadeiras, tv
cada coisa em seu local
cada local em seu mistério,

Tem memórias as coisas.

O computador lembra de todas as conversas
o Sofá resguarda silêncios e presteza ante a Tv
A mesa se perde entre almoços, jantares, festas...

O quarto, esse velho quarto,
conta coisas que Deus duvida
esconde aventuras
Esconde medos

Pânico até.
Antes do sono,
Após acordar,
rememora.

O guarda roupa escondeu tanta coisa
tantas aventuras entre livros
Tantos oficios mal-compreendidos
Tantos papeis amassados,
poemas mal feitos,
escritos escusos,
e ainda tem muito o que esconder.

A cozinha resguarda a imagens de minha mãe
cozinhando a comida do dia
lavando os pratos do almoço
conversando ao telefone sem fio.
Embora resguarde memorias minhas.

Nos cadernos da escola,
poucas anotações
muitos poemas,
confusões, solidões,
Escondia-me em seu interior.

Assim como me escondo em casa
Dentro de cada poema
Dentro de meus pensamentos
dentro de mim.

Esta casa nova, poucos anos vividos.
Esconde coisas antigas
embora passada a limpo
Como um poema escrito
e aos poucos retocado.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Resta

E passada a vontade de ser
resta a nostalgia do ter sido
Algo entre o ser e o querer
Entre o vivente e o vivido.

após toda carreata de sonhos
passada toda vontade irrevogavel
Resta a certeza irresoluta
de algo que se foi, incontornavel.

Embora as vezes haja volta
Contudo retornar é um novo ínicio
Formas novas de ser o que se foi

novas formas de encarar antigo risco.
Ser é desfilar entre aventuras
nostalgicas, voraz ou sem sentido.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Ilusão consentida

E o que é que há entre isso tudo?
Entre essa vida, essas vidas, nossas vidas?
Por hora me assalta me diz, me mente
Em poucas palavras ilusórias
a distancia de alguns bairros
pela tela do meu velho computador.

Por que dizer palavras de conforto
A este poeta meio louco,
Que não sabe viver bem o que sente
Ou não sente bem o que é viver
E por isso mente
Desesperadamente para não sofrer.

Realmente penso que não há porque
Mas se quer de novo
Me use um pouco
Tudo bem,
Não ligo tanto, não sei porque.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Novamente

E Tantos anos agora aqui nessas letras sinuosas

Esvanecendo, esvaindo,

Recaindo pelos ventos de uma vida pouca e louca

Que se pretende findada.


Ou talvez reinventada, recomeço de mistérios

Encantos novos, novos ventos,

Tardes, noites e manhãs

Recobrindo o que me falta

Descobrindo novas matas,

Desbravando, contrastando

Contraindo o mesmo peito

Em novo coro de emoções.


Esse peito novo e profundo

Arraigado em noites mal-dormidas

Em sonhos desfigurados,

Em almas, em calmas, enfim.

Esse peito agora busca

Um novo jeito de seguir.


E seguir que seja calmo

Coroado de memórias

Entre o tempo e a vida habita

O repousar de uma história


(vida, escolhas e caminhos).



Vivências

E se foi aquilo que tanto te completava

Embora algo de tudo tenha ficado

Como um sonho que transcende a noite

Ou uma voz ao fim sussurrando,

Algo ficou.


E o que antes eram sonhos vários

Mudanças, comportamentos,

Vontades irrevogáveis

Marchas, gritos de guerra, pulmões.

Agora repousa quieto, Embora jamais esquecido.


Não há como esquecer as noites

As crises de choro e medo

Os gritos de revolta

As rodas de maconha,

Os sorrisos por algo que foi

(Restam outros pro que virá...).


Talvez essa cidade,

Pouco tenha notado

Ou talvez sequer percebido,

Mas algo por ela passou

Deixando glórias e desvarios.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Vagueza

Algo me falta simplesmente

Como água que acaba na geladeira

Ou luzes e postes na madrugada.

Algo de belo, talvez ilusório

Delírios de jovem, coisa pouca

Algo me falta, talvez amizade

Ou quem sabe um beijo na boca.


Ou quem sabe ar nos pulmões

Vida pulsando, risos delirantes

Me falta alguma coisa e não sei

Se é algo simplório ou faiscante.


Tanto se diz, tanto se passa em mim

Tanto se fala e tampouco escuto,

Ou ouço suave, quase débil

Pedaços de vozes faiscando

Pelos meus ouvidos surdos.


Pedaços de vozes pequenos silêncios

Povoados de algo que me apreende,

Quem sabe esse algo seja o que falta

Esse silêncio que me transcende.

terça-feira, novembro 30, 2010

Chapada

Os verdes são vários
Ondulações em matéria
Reflexões, prisma, cristais
(belezas de cada caminho).

Eles despontam em mim
Ou despontaram outrora
Entre ramos enrolados
E ideias complexas de menino.

Agora? São só dois olhos
(Olham do mesmo jeito)
E tudo como foi e será.

Os verdes são vários:
De um lado a simplicidade do desvario
de outro a comunhão na solidão.

domingo, novembro 07, 2010

Naturalidade

E os poemas
Aqueles versos dedicados ao nada
Agora flutuam pela brisa
cintilantes e prósperos
pela estrada.

Embora algo tenha ficado
como uma musica do vento
recheado de nada,
porém audaz e violento

E assim tudo fôra indo
E os meus olhos ao fechar se abrindo
E de uma hora pra outra
aqui estou.

No entanto tão natural
(salvo as crises)
tudo igual.

sábado, outubro 30, 2010

vagueza

Ainda aqui.
Ainda assim
Ainda.

Ainda caminho a passos rápidos
persisto em sofrer de mansinho a cada dia
serenidades me acham
e encontro
uma outra forma de agonia.

as vezes choro
as vezes rezo
as vezes penso
converso também,
prossigo.

caminhando até a hora ultima
fugindo e caindo em abismos.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Primeiro passo

Tenho passos
Tenho mãos
Caminhos a percorrer,

suavemente saúdo
O que haverei de viver.

Tenho passos
Tenho mãos,
Encantos e um porquê,
e uma vontade eterna
de simplesmente ser,

Tenho passos
Tenho mãos
frutífero alvorecer,
Embora o embora me seja
um caminho a se transceder.

Tenho passos
Tenho mãos,
E o que mais haverei de ter?

Talvez um sossego-unção
e um repousar ao viver

domingo, outubro 24, 2010

segunda-feira, abril 26, 2010

Historinha

Ela é tão pequena
Tão serena e mesmo assim
Percebo nos teus olhos
Uma profundeza sem fim.

Esta todo tempo alerta
Em sua alegria faceira
Diz que não gosta de malandragem,
Mas joga capoeira.

Toda vez que ela me vê
Não deixa de perguntar
Se ainda faço poemas,
E se aprendi a cantar.

Eu sempre respondo besteira
E fico todo embaraçado
É que ela me olha nos olhos
Com teus olhos amendoados.

E no fim tudo permanece
Do jeito que sempre foi
Eu ca fazendo poemas
E ela pensando em nós dois.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Ao fim

Estes versos que te dedico
são simples, são belos,
E dai?

Eu não te amo, você não me ama,
sequer nos gostamos.

Houve uma noite boa,
Um desejo de iludir,
E dai?

Vamos seguir nossos caminhos,
não é mesmo?

quinta-feira, janeiro 28, 2010

pela manhã

Sentado,
O vento sussurrando,
As ondas batendo caladas
Pelo mar.

Um bêbado sorri,
Duas mulheres conversam
Um papo tranquilo,
Devagar.

Me canso,
vou até elas:
Talvez olhem minhas coisas,
Quero ir ao mar.

Trocamos palavras,
Rápidas palavras,
Apresso meu passo,
Vou ao mar.

No mar me benzo,
Poucos mergulhos
Volto as mulheres
Pego minhas coisas
E vou para casa.

sábado, dezembro 26, 2009

Mulher que passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.

-------------------- Vinicius de Moraes

sexta-feira, dezembro 18, 2009

O fogo (do poema de Vinicius denominado Os Quatro Elementos)

O sol, desrespeitoso do equinócio
Cobre o corpo da Amiga de desvelos
Amorena-lhe a tez, doura-lhe os pelos
Enquanto ela, feliz, desfaz-se em ócio.

E ainda, ademais, deixa que a brisa roce
O seu rosto infantil e os seus cabelos
de modo que eu, por fim, vendo o negócio
Não me posso impedir de pôr-me em zelos.

E pego, encaro o sol com ar de briga
ao mesmo tempo que, num desafogo
Proibo-a formalmente que prossiga

Com aquele dúbio e perigoso jogo...
e para protegê-la, cubro a amiga
Com a sombra espessa do meu corpo em fogo.