terça-feira, fevereiro 08, 2011
confissão
fico calmo, fico tranquilo
É assim numa tarde calma
É assim em um dia bonito.
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Apt. 1103
sofás, cadeiras, tv
cada coisa em seu local
cada local em seu mistério,
Tem memórias as coisas.
O computador lembra de todas as conversas
o Sofá resguarda silêncios e presteza ante a Tv
A mesa se perde entre almoços, jantares, festas...
O quarto, esse velho quarto,
conta coisas que Deus duvida
esconde aventuras
Esconde medos
Pânico até.
Antes do sono,
Após acordar,
rememora.
O guarda roupa escondeu tanta coisa
tantas aventuras entre livros
Tantos oficios mal-compreendidos
Tantos papeis amassados,
poemas mal feitos,
escritos escusos,
e ainda tem muito o que esconder.
A cozinha resguarda a imagens de minha mãe
cozinhando a comida do dia
lavando os pratos do almoço
conversando ao telefone sem fio.
Embora resguarde memorias minhas.
Nos cadernos da escola,
poucas anotações
muitos poemas,
confusões, solidões,
Escondia-me em seu interior.
Assim como me escondo em casa
Dentro de cada poema
Dentro de meus pensamentos
dentro de mim.
Esta casa nova, poucos anos vividos.
Esconde coisas antigas
embora passada a limpo
Como um poema escrito
e aos poucos retocado.
sexta-feira, janeiro 14, 2011
Resta
resta a nostalgia do ter sido
Algo entre o ser e o querer
Entre o vivente e o vivido.
após toda carreata de sonhos
passada toda vontade irrevogavel
Resta a certeza irresoluta
de algo que se foi, incontornavel.
Embora as vezes haja volta
Contudo retornar é um novo ínicio
Formas novas de ser o que se foi
novas formas de encarar antigo risco.
Ser é desfilar entre aventuras
nostalgicas, voraz ou sem sentido.
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Ilusão consentida
Entre essa vida, essas vidas, nossas vidas?
Por hora me assalta me diz, me mente
Em poucas palavras ilusórias
a distancia de alguns bairros
pela tela do meu velho computador.
Por que dizer palavras de conforto
A este poeta meio louco,
Que não sabe viver bem o que sente
Ou não sente bem o que é viver
E por isso mente
Desesperadamente para não sofrer.
Realmente penso que não há porque
Mas se quer de novo
Me use um pouco
Tudo bem,
Não ligo tanto, não sei porque.
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Novamente
E Tantos anos agora aqui nessas letras sinuosas
Esvanecendo, esvaindo,
Recaindo pelos ventos de uma vida pouca e louca
Que se pretende findada.
Ou talvez reinventada, recomeço de mistérios
Encantos novos, novos ventos,
Tardes, noites e manhãs
Recobrindo o que me falta
Descobrindo novas matas,
Desbravando, contrastando
Contraindo o mesmo peito
Em novo coro de emoções.
Esse peito novo e profundo
Arraigado em noites mal-dormidas
Em sonhos desfigurados,
Em almas, em calmas, enfim.
Esse peito agora busca
Um novo jeito de seguir.
E seguir que seja calmo
Coroado de memórias
Entre o tempo e a vida habita
O repousar de uma história
(vida, escolhas e caminhos).
Vivências
E se foi aquilo que tanto te completava
Embora algo de tudo tenha ficado
Como um sonho que transcende a noite
Ou uma voz ao fim sussurrando,
Algo ficou.
E o que antes eram sonhos vários
Mudanças, comportamentos,
Vontades irrevogáveis
Marchas, gritos de guerra, pulmões.
Agora repousa quieto, Embora jamais esquecido.
Não há como esquecer as noites
As crises de choro e medo
Os gritos de revolta
As rodas de maconha,
Os sorrisos por algo que foi
(Restam outros pro que virá...).
Talvez essa cidade,
Pouco tenha notado
Ou talvez sequer percebido,
Mas algo por ela passou
Deixando glórias e desvarios.
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Vagueza
Algo me falta simplesmente
Como água que acaba na geladeira
Ou luzes e postes na madrugada.
Algo de belo, talvez ilusório
Delírios de jovem, coisa pouca
Algo me falta, talvez amizade
Ou quem sabe um beijo na boca.
Ou quem sabe ar nos pulmões
Vida pulsando, risos delirantes
Me falta alguma coisa e não sei
Se é algo simplório ou faiscante.
Tanto se diz, tanto se passa em mim
Tanto se fala e tampouco escuto,
Ou ouço suave, quase débil
Pedaços de vozes faiscando
Pelos meus ouvidos surdos.
Pedaços de vozes pequenos silêncios
Povoados de algo que me apreende,
Quem sabe esse algo seja o que falta
Esse silêncio que me transcende.
terça-feira, novembro 30, 2010
Chapada
Ondulações em matéria
Reflexões, prisma, cristais
(belezas de cada caminho).
Eles despontam em mim
Ou despontaram outrora
Entre ramos enrolados
E ideias complexas de menino.
Agora? São só dois olhos
(Olham do mesmo jeito)
E tudo como foi e será.
Os verdes são vários:
De um lado a simplicidade do desvario
de outro a comunhão na solidão.
domingo, novembro 07, 2010
Naturalidade
Aqueles versos dedicados ao nada
Agora flutuam pela brisa
cintilantes e prósperos
pela estrada.
Embora algo tenha ficado
como uma musica do vento
recheado de nada,
porém audaz e violento
E assim tudo fôra indo
E os meus olhos ao fechar se abrindo
E de uma hora pra outra
aqui estou.
No entanto tão natural
(salvo as crises)
tudo igual.
sábado, outubro 30, 2010
vagueza
Ainda assim
Ainda.
Ainda caminho a passos rápidos
persisto em sofrer de mansinho a cada dia
serenidades me acham
e encontro
uma outra forma de agonia.
as vezes choro
as vezes rezo
as vezes penso
converso também,
prossigo.
caminhando até a hora ultima
fugindo e caindo em abismos.
quinta-feira, outubro 28, 2010
Primeiro passo
Tenho mãos
Caminhos a percorrer,
suavemente saúdo
O que haverei de viver.
Tenho passos
Tenho mãos,
Encantos e um porquê,
e uma vontade eterna
de simplesmente ser,
Tenho passos
Tenho mãos
frutífero alvorecer,
Embora o embora me seja
um caminho a se transceder.
Tenho passos
Tenho mãos,
E o que mais haverei de ter?
Talvez um sossego-unção
e um repousar ao viver
domingo, outubro 24, 2010
segunda-feira, abril 26, 2010
Historinha
Tão serena e mesmo assim
Percebo nos teus olhos
Uma profundeza sem fim.
Esta todo tempo alerta
Em sua alegria faceira
Diz que não gosta de malandragem,
Mas joga capoeira.
Toda vez que ela me vê
Não deixa de perguntar
Se ainda faço poemas,
E se aprendi a cantar.
Eu sempre respondo besteira
E fico todo embaraçado
É que ela me olha nos olhos
Com teus olhos amendoados.
E no fim tudo permanece
Do jeito que sempre foi
Eu ca fazendo poemas
E ela pensando em nós dois.
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Ao fim
são simples, são belos,
E dai?
Eu não te amo, você não me ama,
sequer nos gostamos.
Houve uma noite boa,
Um desejo de iludir,
E dai?
Vamos seguir nossos caminhos,
não é mesmo?
quinta-feira, janeiro 28, 2010
pela manhã
O vento sussurrando,
As ondas batendo caladas
Pelo mar.
Um bêbado sorri,
Duas mulheres conversam
Um papo tranquilo,
Devagar.
Me canso,
vou até elas:
Talvez olhem minhas coisas,
Quero ir ao mar.
Trocamos palavras,
Rápidas palavras,
Apresso meu passo,
Vou ao mar.
No mar me benzo,
Poucos mergulhos
Volto as mulheres
Pego minhas coisas
E vou para casa.
sábado, dezembro 26, 2009
Mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.
-------------------- Vinicius de Moraes
sexta-feira, dezembro 18, 2009
O fogo (do poema de Vinicius denominado Os Quatro Elementos)
Cobre o corpo da Amiga de desvelos
Amorena-lhe a tez, doura-lhe os pelos
Enquanto ela, feliz, desfaz-se em ócio.
E ainda, ademais, deixa que a brisa roce
O seu rosto infantil e os seus cabelos
de modo que eu, por fim, vendo o negócio
Não me posso impedir de pôr-me em zelos.
E pego, encaro o sol com ar de briga
ao mesmo tempo que, num desafogo
Proibo-a formalmente que prossiga
Com aquele dúbio e perigoso jogo...
e para protegê-la, cubro a amiga
Com a sombra espessa do meu corpo em fogo.
sábado, dezembro 12, 2009
Menina se quer casar
Não busque amor em todos
Menina se quer casar
Procure um homem de Touro.
Procure homem de Touro
Que te cuide com carinho
Que leve café na cama
Olhe por seus caminhos
Procure um Taurino forte
Daqueles firmes e belos
Soltando pelas ventanas
Um amorzinho singelo.
Singelo, mas decidido
Sem juras, badalações
Amor transmitido nos atos
Resistente a furacões.
Persiga menina, Ache
Este nascido da terra;
Detentor de tuas certezas
Seja na paz, seja na guerra.
Mas veja menina, relaxe
Se acaso não conseguir.
Se a vida não lhe ofertar
Há o libriano aqui.
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Santo Amaro (de Augusto Alves de Sant'ana)
Dos ricos massapês, dos engenhos antigos
Dos nobres, dos barões, de um povo prazenteiro
Que a todo instante vive a granjear amigos.
Bem vês que tenho orgulho enorme, sobranceiro,
De ver por toda a parte, em teu torrão, abrigos,
Pois sei bem Tu quem és, o grande cavaleiro
Que vence com amor os fortes inimigos.
Nos teus canaviais de leque aberto ao vento
Sinto o cheiro do mel a adocicar-te a vida.
O teu maculelê, com ginga e encantamento,
Lembra a tua capoeira alegre e divertida.
Na tua catedral está meu pensamento
E em todo o teu passado, enfim, terra querida.
--------------------------------------- Salvador, 5 de maio de 1977.
quinta-feira, novembro 26, 2009
Boatos
Nos lábios calmos daquela menina
Uma paz com um cheirinho de açucena,
Sabia?
Eu ouvi dizer de um tal rapaz...
Não tive, não provei, mas vou provar,
Quem sabe seja minha aquela paz?
Vou lá.