terça-feira, outubro 20, 2009

Negrume Celeste

A noite tem uma constante
De tristeza e irresoluta adoração
Pelos ares e os falsos semblantes
Pela sua irresoluta imensidão.

Belas mulheres e alegres meninas,
Turbulência, brancura, depravação,
Sorrisos doces e doces alucinantes
--------------.Amplidão.

Os olhos embotam as lágrimas cadentes
Quando ao longe a mulher se vai,
É o amor a irromper na gente...
Nos destrói, nos desvaira, se esvai.

Ao mesmo tempo meus olhos sorriem
Por uma brancura salpicada em raso flerte...
É a leviandade ante a ruir minhas narinas
Ou a liberdade a me invadir assim solerte?

Mas tais questões dispersam pela noite
Por teus olhares, teus desterros, tua má fé,
Ente a bailar pelas almas como quem some
Como uma música , um poema, uma mulher.

terça-feira, outubro 13, 2009

Três quartetos

O verso é o terreno da calma
Não cabe a embriaguês do mar
Por tal não traduzo minha alma
Prefiro em tua noite embalar.

O mar é o lar das tempestades
Verdadeiro porta-voz da imensidão,
E o verso quando fala não sabe
decifrar o mar em teu bordão.

Por isso quero um beijo teu menina!
Quem sabe nesse enleio vá encontrar
O verso que trespasse tal enigma
O verso que traduza a voz do mar.

terça-feira, outubro 06, 2009

Na defensiva

não vivo na sua pele
não sei qual seu recado
nem vou ficar sonhando,
pois prefiro estar acordado.

Pressinto o paraiso
nesse gosto de inferno
que traz no seu sorriso,
mas eu vou ficar esperto,

Pois eu não sou mais garoto
nem sei qual poesia,
Menina, nos seus sonhos
me traz!

Mas sei que não é
nenhuma Meireles
nem nenhum Moraes!

quinta-feira, outubro 01, 2009

Prece

Mulheres, meu Deus, Mulheres!
Essas pestes, essas alegrias...
Mulheres, meu Deus, Mulheres

Tantos estragos são suas melodias,
Tantas tristezas são seus embargos!
Tantos poetas sem tua companhia,
Tantos e tantos e tantos percalsos...

O que faço, meu deus, Mulheres...
Enlevo de rubras vozes celestes.
Motivo de riso, motivo de pranto,
Fluido inimigo, serpente, e no entanto:

Mulheres, um doce encanto.

domingo, setembro 27, 2009

Maritima I

Seu mar rasga o amor dos fracassados:
Este mar tão carregado de loucura,
Lá no jeito tão sestroso de seu passo
Pela noite santa e dócil como impura.

O meu peito já não aguenta o seu sorriso
Essa peste, essa mentira escancarada!
Mas não há dia que não venha o paraiso,
ou o inferno, quente lar da sua morada.

Pois é a Mulher das falacias e mentiras,
Talvez o jogo seja a busca da tua fala...
E nesse enleio me perco e me preciso,

Pois o homem se refaz pelas pedradas!
(Não sei ao certo o mar que em ti persiste,
mas sei qual tempestade é a tua chegada...)

sábado, setembro 19, 2009

Perda

A noite perde a lírica amorosa
E nela todo o ser do seu mistério,
Vago nestas terras pedregosas
Triste e polidamente sério

A noite sem o ser do seu mistério
Sem o desvario do louco amor
Sobra morta como um cemitério
Deixa-me numa grande dor

A lua não me traz seu jeito ébrio
O Mar não me conforta ao balançar
Preso numa atroz melancolia

Sigo, sigo em frente sem parar...
Ciente da tristeza que vigia
A noite destronada de seu lar

terça-feira, setembro 08, 2009

Desamparo

Porventura os versos falam,
E tonto procuro algo no seu dizer.
Na letra insinuante,
no signo incinerante...
No mistério plurificado do seu ser.

Mesmo nas vozes mais diretas,
Nas metáforas mais concretas:
Nada.

O verso me habita e não me diz nada.

Juro que tentei me apartar da poesia,
Quase chorei até, não consegui.
a poesia (mesmo a ser nada) ficou,
Calada, confidente, tortuosa:
minha morte serena, minha droga.

sábado, setembro 05, 2009

Passarinhando

Lá vai a menina comprar o pão,
blusinha branca, moedas na mão,
Olha os dois lados, trespassa a rua,
Suave flutua por cima do chão.

Cintila dos lábios um doce assobio:
Sutil passarinho, suave canção.
Não sabe os meandros mordazes da rua,
Não sabe e é sua essa louca ilusão.

Se um dia a menina se fere no peito
Recai em meu leito uma lamentação.
Pois essa menina é o encanto da lua

E encanto da lua é um doce clarão.
Clarão dos meus dias, verazes poesias,
Verazes poesias, enlaces, manhãs...

domingo, agosto 23, 2009

Poema para o verdejar da menina

olha o verde chegando
em todos os cantos do mundo!
Teu cheiro é verde e seu passo
verdeja a cada segundo...

É verde o laço que traço
nos olhos (teu olhar mais profundo),
e o verde deste poema, faço
que seja as verdades do mundo.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Familia

Há uma casa ao lado do sitio
luz acesa, ar tranqüilo.
Ela aparece no ar enquanto a vida prossegue...

A família pouco se atém aos acenos da noite,
Apenas colocam casacos de veludo
E seguem...

meu tio da uma risada gostosa
sincera e espalhafatosa

minhã tia não para de trabalhar,
uma boa pessoa, dificil de achar...

Um outro tio é um beberrão safado
Mas tem bons filhos filhos, e um ogum consagrado

Meu outro tio é catolico até os ossos,
mas bem culto, com filhos maravilhosos.

e tem minha mãe...
A mais Linda,
um coração de mãe...

domingo, agosto 09, 2009

E ai?

O que é que falta?
uma palavra amena?
uma sílaba no poema?
um fim desses casual?
uma canção de amor banal?

Ou um pouco de travessuras?
Loucuras na cama? a lua?

Me diga, por que essa merda?
Quer que eu seja um palerma?
Ou quem sabe um asceta?
Açguém que diz "então tá"?

O que você pede de mim?
Uma fugaz euforia?
Festas, danceterias?

Diga, eu estou esperando,
Não tenho esse tempo todo.

domingo, julho 26, 2009

Elegia (Breve elogio fúnebre)

Aqui jaz a vida:
Ocaso como Acaso de si.

Estampada na alma de quem não suicida
A alma e a vida que há para si.

Aqui jaz a vida:
acaso da Razão,
frutífero Ruir.

Sorriso nos olhos da mulher embevecida,
Compasso e o pesadelo dos sonhos
que estão por vir...

Aqui jaz a vida:
Sem
ente do derradeiro,
Solilóquio dos estrangeiros
de sí.

quarta-feira, julho 22, 2009

Sobre um blog Muito lindo!

http://dasideiasdecaioruda.blogspot.com

Poderia fazer uma apresentação do tipo:

Estudante de Psicologia nascido no interior da Bahia e bla bla bla...

Mas não, vou dar a real: Este é um poeta do caralho que raramente é encontrado por estes blogs net a fora.

Mas enfim, acabei de conhecer a poética dele e por isso essa empolgação toda!

terça-feira, julho 21, 2009

Marra

Deu o primeiro drible
safado, olhando de lado,
chamou de bicha o zagueiro:
sorrindo, desaforado.

Driblou o segundo brincando
parou e bateu pontinho!
E quando outro veio rasgando,
deu uma tabaca e seguiu.

Ainda faltava três,
mas viu o goleiro adiantado,
então, com desfaçatez,
encubriu e saiu po abraço...

sexta-feira, julho 17, 2009

Poesia Contemplada

Entre o amor e a poesia

Singela como toda poesia
E poética como toda calma
Aldaz como o sol dos meus dias,
Amada.

Mais bela que a bela da fera
Mais linda que o ato de adão
Mais fina que a consternação
Alada.

Mais nova que a velha poesia
Bravia igual as ondas do mar
Confusa como uma romaria
Tortuosa como ocasos do amar.

Embora lhe seja perfeita
As noites de mar e luar
Em vão te traço a poesia
Como um desejo sem par
Conforme as razões do meu dia
Conforme o não se conformar...
(Os olhos embotam-se a lágrima
os olhos são olhos e solidão
Os olhos são modos de calma
que acalma a mais quente paixão).

E assim sei nestes novos dias
Poética e póstuma é minha alma,
Pois a paixão é o reverso da poesia
E as poesias são mortes e lástimas,

Então por fim se inicia
O mais novo enlace poético
Como matéria sem alegria
Traço a poesia sem fins magnéticos.

Foi com algum ar de inquietação que Martim leu aqueles versos. Talvez tenha estremecido um pouco e chegou até a ameaçar quedas de lágrimas. Mas conteve-se. Um poeta saído daqueles ares duros e abafados no pregão das madrugadas foi no mínimo inovador. Ele pensou em guardar os versos pra si, olhou pro lado olhou pro outro, mas desistiu. Poeta... Onde já se viu trabalhador com essa capacidade poética, com essa fineza típica dos letrados nas artes da poesia romanesca? Não que ele fosse preconceituoso, mas essa era uma poesia que costumavam altear nos seus tempos de faculdade, quando freqüentava as festas loucas no FFCH e quando amigos lhes mostravam as mais belas (e algumas não tão belas assim) poesias. Mas naquele trabalhador rude e gaiato, propenso às mais esculhambadas pataquadas, não esperava nem um pouco. E aquela consciência do local definido da poesia moderna.... Aquela fineza de vocabulário... Ficou impressionado. Certo que não era a poesia de nenhum Vinicius de Moraes, mas era muito boa. Vinicius de Moraes mesmo teria dito isso, logo ele que era um amante do povo e de sua “Pátria tua” tão pobrinha? Que tinha vontade de nina-la e se orgulhava de torcer pelo (fudido) Botafogo? É, com certeza teria dito isso. No mais ficou feliz de ter um empregado desses, certo que não era seu empregado, mas era de cargo superior (iria comentar isso com seus amigos). Resolveu lê-la de novo, tava pensando se iria comentar com o autor que tinha lido. Era uma poesia bonita e tal, mas à achou mexendo no armário dele e tal... Não ia pegar bem. Certo que não ia dar nada pra ele, mas estava querendo a amizade do seu subordinado e não pegava bem mostrar, mesmo que da sutil forma que se apresentava, esta superioridade. Mas mesmo assim sabia que esse lado hierárquico de suas condições sociais iria circular toda a relação que estabelecessem daqui pra frente. Mas mesmo assim achou melhor guardar a poesia no lugar, se arrummar e ir pra casa. Era melhor assim. Não ia comentar nada com ele.

sábado, julho 11, 2009

revelações

há duas formas de medir a amizade dos homens
pela cumplicidade nos momentos solitarios
e pelos chingamentos em público.

sexta-feira, julho 03, 2009

Poética obtusa

As poesias não existem no tempo
Vivem no mais imponderável ser
Podem revelar tenazes intentos
Que faça feliz ou que faça sofrer

Mas pode a poesia ser vazio
Insustentável leveza do ser
Talvez um ladrilhar de caminhos
Ou besteiras sem ter porque

As poesias são olhares do mundo
E o mundo são olhares poéticos
E enquanto vagueiam os olhos do mundo
Sinuosas verdades nos tornam complexos

E as verdades não tem dois caminhos
Tal qual a poesia não nos traz verdades
Pois o mais cristalino e dengoso versinho
Não diz o que o futuro nos traz sem alarde

Então não se encante, mas sinta o poema
E deixe-se banhar por este sol monumental
Por mais que nos cante e nos faça loucuras
A literatura não nos salva do mal.

quarta-feira, julho 01, 2009

Em consonancia com as espetacularidades cinematograficas é (sem duvidas) necessario um contrapeso, Uma musica da capoeira sobre Besouro

Quando eu morrer me enterre na Lapinha
Quando eu morrer(ô IáIá) Me enterre na lapinha
Calça culote paletó almofadinha

Adeus Bahia zum zum zum cordão de ouro
Eu vim aqui porque mataram meu besouro

ê zum zum zum zum zum
ê besouro...


Pra quem não sabe Besouro foi um capoeirista do reconcavo Baiano do inicio do século XX que segundo os dizeres do proprio foi João Pequeno de Pastinha foi o primeiro mestre deste, longe de ser necessario por em cheque essas questões, isso eh mais que uma evidencia da importancia desse capoeirista.

Há varias lendas sobre o que ele foi e o que ele n foi, mas a mais conhecida é a que ele possuia o corpo fechado e que a unica coisa que o matava era a faca de Ticum ou Tucum... O que também pode ser interpretado como uma colateralidade de sua incrivel tecnica de luta. Enfim sairá o filme que de uma forma mentirosa ou n mostrará muitas coisas sobre ele pra vcs (que se interessarem eh claro)

segunda-feira, junho 29, 2009

Vida amores e lembranças

Eu não tenho no amor qualquer constancia
Nem consiste o amor nalguma gloria
Sou filho das loucuras, minha historia
é o choro das paixões desmerecidas

Se eu sou conforme a vida dissonâncias
Senhor de mim não sou e nem poderia
Ao tom das inconstancias minhas lembranças
se emporcalham nas feridas bem doidas

Entregue nas saudades não vividas
vivo assim perdido nas distâncias,
pois longe vive em mim minhas lembranças
e longe vivo assim da minha vida.

quinta-feira, junho 11, 2009

Eu tenho uma poesia no bolso pra lhe entregar,
Linda,
Bem doce
Como um chocolate de ilhéus
E banal como uma musica de Jorge Ben...

Um gol de pelé aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo!

E como haveria de ser, é uma poesia de amor
Bem clichê como o amor de todos nós,
Um pouco triste, jura mundos e fundos
E lhe promete a felicidade dos maiores romances

Essa poesia possui rimas em seu lugar comum:
Amor rima com dor
Saudade com fim de tarde
Tristeza com beleza,
O que com certeza faz vomitar o mais indecifrável crítico de arte,
Mas que faça balançar o coração da mais bela das mulheres

Você
Que em sua distração talvez não tenha se dado conta
Que é a musa deste poema, a beleza que me encanta.