domingo, novembro 09, 2008

quinta-feira, outubro 30, 2008

Dialogo

Venha, estou aqui
a sombra, o odor, o amor
clamam todo a ti

Mas eu que sou beleza?
Todo mar e sua pureza?
Não vou, sou fluido e fim

Venha seu imbecil
As hostes da arrogancia
Desaguam sem temperança
nas águas dos mares vís

Um riso lhe dou de graça
materia de pouca graça
rizoma de plantas parcas

Esta é a última vez
que clamo, porco burguês

Então estais acabado
tua algaravia
e minha teimosia

Então este é o fim?
Você em meio ao degredo
E eu a falar sem eco?

É este é o fim
impróprio, mas este é o fim

sexta-feira, outubro 24, 2008

Esse post é uma saudação ao Poeta do meio

um amigo meu lançou um livro custeando a propria edição
se chama Noites
eh um livro de poesia lindo
que me suscitou boas imagens e excelentes reflexões sobre o valor da vida do amor e da poesia mesmo

Ele já foi citado aqui no Blog e se chama Tiago Groba

gravem esse nome
Tiago Groba(ou o poeta do meio)

E seu livro

Noites

ai agora vai um poeminha do livro dele pra vcs


Longe

Se o tempo se espaça
no espaço da distancia,
E a saudade grassa
em triste substancia,
A ausência vem a cabeça
o que se fez lembrança,
Pois nada despedaça
Os momentos que vem
da mais velha infância.

quarta-feira, outubro 22, 2008

escuta a mim

Tenho que te dizer menina
que a vida ainda vai brilhar

não procure saida
ache
não se encante comigo
me enlace
e juntos poderemos ter muito o que fazer

coisas que só eu e você poderemos entender

quarta-feira, outubro 01, 2008

momento fudido

Não quero beleza
Poema algum me sacoleja
A vida é a visão de um ventilador
Não há beleza, não há feiura
apenas tomadas botões e sua arquitetura
Minhas narinas encalacradas
impedem-me o bom respirar
e a falta de dinheiro
leva a falta de tudo

Um amigo cairia bem agora
um ombro, uma risada
e um olhar compreensivo
ou apenas um silêncio prestativo

quinta-feira, setembro 25, 2008

Para Frango e meus amigos fumantes

Não fumo cigarro
O dia passa contemplativo
E a espera ainda tem seu charme,
mas não fumo

Reconheço a beleza da afirmação
"sua ausencia me custou três cigarros"
ou ainda...
"Nâo será a futura necrose pulmonar
que irá fazer-me te abandonar
companheiro indispensavel das noites frias
Chama ainda adiavel da minha morte"

Diga-me colega velho,
Não tem seu charme?

é como aquele olhar ferino da mulher gostosa do seu amigo,
perigosamente mordaz...
Mas eu não fumo cigarro
Nem pego mulheres de amigos meus
Prezo por minha vida e preservo minhas amizades.

quinta-feira, setembro 18, 2008

realidade amorosa

a mulher ganha o homem na sua vaidade
Seja na falta ou no excesso dela
ou até mesmo na sua posição intermediaria
não tem jeito da mulher não ganhar o homem
se elas quiserem elas ganham
Não há salvação pra isso

quarta-feira, setembro 10, 2008

Parolagens da Vida

A vida é foda, tão bela
E possibilitatória,
Mas nós...
Não.

A vida é nossa
E nós não

A vida é o externo consigo
E nós o interno perdido

Dá pra entender?

sábado, setembro 06, 2008

Para a menina que brinca de palavras

Vai menina brinca
As letras rimam sem querer
Não se esforce com as palavras
Elas vem
Não há poema que não se dobre a você

As palavras que lhe vêm
Não tem sono, nem desdém
Vivas como a vida de um artista
(ou outro alguém)

Vai menina canta
Suas palavras para mim
Não me canso de ouvi-las
(pois me ninam pra dormir)

Vai menina corta com as suas brincadeiras
Fala suas verdades
Suas mentiras
Suas asneiras
Suas palavras não se dobram
A uma única temática
Até besteiras (lindas)
se transformam em risadas

Vai menina diga
Quando é que vou lhe ver
Só conheço seus poemas,
Que são belos, e você?

terça-feira, setembro 02, 2008

Aos olhos da noite a vida é pequena,
a vida dos homens (a nossa, terrena),

aos olhos de Deus (E Deus existe?)
Há só propriedade e um jeito triste

Aos olhos do amor (E o amor existe?)
Há menos verdades do que sandices

As veias da verdade (E a verdade onde está?)
percorridas por ideias
(apenas palavras e certezas honestas)



mas a honestidade subjaz na intenção

terça-feira, agosto 26, 2008

É certamente uma vagabunda
e o pior é que já gostei dela
Desilusão é o que sinto agora

A desilsão é um final de novela
è sempre o mesmo gosto decepcionante
em sutilezas de grau devido ao envolvimento
a desilusão é libertadora
e a liberdade nem sempre é doce

segunda-feira, agosto 25, 2008

este eh o poema mais escarrado que jah fiz

EU não sou poeta
sou um inventor
invento portas abertas
para o mais belo esplendor

Eu sou um poeta
não sou um inventor
invento tua hora certa
para o meu cocoroco

EU não sou menino
sou muito gente grande
invento teu destino
e o meu já tem um nome

Eu não sou nada de mmais
e o que eu quero é ser de menos
talvez eu seja tomaz
um colega meu dos tempos do sartre

E por fim termino o poema

terça-feira, agosto 19, 2008

acaso sei, poesia?

O segredo das casas o poema não canta
o mistério das almas tampouco ele alcança
cada palavra, dança sem dança
Perpassam e desatam as rimas, mas mancam

Não há um poema segredo dos nexos
Destrave das almas, estertor dos complexos
Pois o que o poema almeja e canta,
senhora,
não vive na vida que vívida dança

Nâo ousarei o que tenso fazer
Dizer - o que é o poema? -
Será o meu dever?
Não digo sim traço, em traços sublimes,
Poemas, enlaces que o meu ser exime

quinta-feira, agosto 14, 2008

Eu tremo se acaso penso
No vir do ser mais intenso
Mulher cujo um dia pretenso
Comer de quatro a devassa

E nesse combate tenso
Devasso, contudo infenso
Tento na calma do incenso
Comer de quatro a devassa

Alguns dirão: não tem censo
Outras: preciso de um lenço
No entanto ainda pretenso
Comer de quatro a devassa

cabimento

Não caibo dentro do verso
Não me encaixo neste regasso
Sou resto de rumo e cesso
A beira de ter um colapso

Não sou nenhum A-b-b-a
Muito menos a-b-a-b
Versos brancos não vão me explicar
Versos pretos não vão me encolher

Poetas, loucos bailarinos
Não cantam, bailam com as palavras
No entanto, este casto menino
Não cabe no sumo de tua lavra

quarta-feira, agosto 13, 2008

A revolta dos nerds

O video game esta empoeirado
deste modo pode quebrar
e eu sempre penso em ter ao meu lado
uma mulher que possa me dar

O video Game serve pra o jogo
Uma mulher para divertimento
seus olhos sua boca seu corpo todo
sanam as dores ou causam lamento

No video game há mil opções
todas iguais em termos de fim
pois nunca haverá nele uma erupção
de gozo de gala de porra de sim...

terça-feira, agosto 12, 2008

Scrap

O cabelo era rosa
e era rosa também
a cor da boceta
seu cheiro porém

não pude sentir
devido a distância
a vasta distância
da MTV

pois era a Vijay
mais gata, felina
a qual, na latrina,

não pestanejei!
bati uma punheta
e nela gozei

quinta-feira, julho 17, 2008

Arnaldo Antunes recortado

temperatura
aparencia
paz
cor
valor
consistencia
sentido
coisas

vizinho
sozinho
lingua
diferente
passagem
rua
longe
lingua
sua
estou
mundo
seu

você
quis
feliz
mim
dá
lá
viu
frio
lugar
caibo
mais
em
mim
desprezou
acabou
falar
falhou
apagou

bagdá...
recordando lá
tigre, mesopotâmia, sherazad
quando sirene tocar
antecipando bombas
lembro...
nossa...
porém suspensos
lua abundante
noite...mil tempos

mapa
califa
ladrões
livrarias
beira
joia

sujar
lavar
agua
depois
areia
esperar
vagalume
ouvir
proxima
pé
respirar
comer
caminhar
chover
acontecer
gentil
pessoa
na
de
piscar
onda
se
tomar
chuva
saudade
tarde
para
escurecer
esquecer
dormir
deitar

quando
você
não
lembrar
tudo
aconteceu
aurora
flroes
pele
sopa
porta
bola
ferro
mel
toda
lembra
rio
for
deitar
deixa
pensamento
sem
voltar
musica
pássaro
escuro
bebe
morrer
acontecerá
dia

sexta-feira, julho 11, 2008

Percalso poemado

ato manifesto
tranformador
transforma a dor
em algo incerto

Ato inoperante
contestador
contesta a dor
é um ato errante

E assim em atos e mais atos
a vida é feita em percalsos
e em belezas também

Mas a beleza pode ser Percalso
e o Percalso se torna beleza
neste meu verso meu bem

terça-feira, julho 08, 2008

Anônimo Antônio

Vai descuidado anônimo
que agora é Antônio
Seu mergulho cômico
Seu amor daltônico
Sua camada de ozônio
Não existe mais.
Findou-se a agonia
E era você quem bem queria
que ela o deixasse em paz.
Não, nem mude de assunto
que você cá neste mundo
tanto fez ou tanto faz
é o mesmo sempre,
sempre o último ao percorrer
a galeria dos seus ais.

Vai descuidado Antônio
que agora é anônimo
Sua camada de amor
É o que fica pra trás.


Anadora Andrade e Tiago Groba

Esses são dois poetas não publicados
que adoro
principalmente Tiago Groba
que se não fosse tamanha a pieguice
poderia chamar de mestre

domingo, julho 06, 2008

Depois de ver teus versos(à Albano)

Depois de ver teus versos
Que em meus olhos foram certos
Logo digo todo incerto
Escrever não posso mais

E não posso, mas escrevo,
Criptagens, devaneios
Qual diante deste enleio
Que me trazes
Vão-se ao cais

A espera de Caronte
Que os leva pro jamais...

sábado, julho 05, 2008

O pingüim e a pingüinha

Não tem tempo ruim nem rinha
Entre o pingüim e a pingüinha
Faça chuva desça neblina
Caia a lua numa esquina
Nada nada aporrinha
Ao pingüim e a pingüinha
Quando ela tá triste, tadinha,
Todinha cabeça pra baixo,
Ele vem logo, aprumado,
E dá uma rapidinha.

Tiago Groba poeta que fez que fez este poema...
acho que vou começar a postar algumas coisas que não são minhas no blog este poema mesmo me pareceu valido
abraços a todos

domingo, junho 22, 2008

ladainha de capoeira cujo autor desconheço

Eu já he disse que sou
Planta de raiz profunda
Eu aguento tempestade
O meu barco não afunda
Eu sou aço de primeira
Que a brasa não derrete
Flecha de má pontaria
Duvido que me acerte
Forte como o ba-ô-ba
Tronco grosso e resistente
Osso duro de roer
Que não é pra qualquer dente
Nasci carne de terceira
Dificil de cozinhar
Mas sou facil pra qualquer
Que saiba me conquistar
Mas que não venha com coleira
Pra querer me escravizar
Ha ha!

terça-feira, junho 03, 2008

Hipocrisia(contribuição do baixista danilo)

Em minha vida não há hipocrisia
Todos meus sonhos são bons
Nunca a tristeza tem em mim moradia
e só tomo sorvete Kibon

Em quadras enquadro minha felicidade
Nos odes tão caros a minha pregação
"Não mate não roube nem nunca se mate
A vida é um sol no calor do verão"

Espero que a vida assim me prossiga
Sem medo, sem raiva, um sim de verdade...
Mas mesmo nos peitos onde o medo inda habita

Espero encontrar meu eu em tua verdade
Pois a hipocrisia destes versos com rima
Foi funda, tão funda que esqueço a verdade.

quinta-feira, maio 29, 2008

soneto do amor vindouro

Toda vida te procuro
Toda festa fico apar
Fito ao longe de meus muros
Teus soslaios, teu olhar

De mim exija pouco
Não espere um grande mar
Não procure neste louco
Teus sonhares de luar

Cante baixinho tua novena
E peça pra deus te iluminar
Fico cá em quarentena

Taciturno a te esperar,
Menina-mulher serena
inda espero te trilhar

quarta-feira, maio 21, 2008

Olha a cara do brasileiro
Olha o sorriso dessa negona
Olha o silêncio dos meus olhos

sábado, maio 17, 2008

Meu percurso

Meu percurso
Foi dis-curso de mim mesmo
(Um emaranhado de cabelos despenteados)
(E uma voracidade de centelhas dissimulados).
E Minha verdade foi vontade de ser tudo
(Intelecto supremo do mundo).

Meu caminho foi sozinho por umas vielas
(Encruzilhadas mal-fadadas à entorpecência
(Cataratas contraídas na adolescência).

Um senil tropeço de aquarelas
(Vaso destruído por empregadas
(Reclames de mãe indignada)

Trabalho de distância inacabada

quinta-feira, janeiro 03, 2008

manhã

Nasce o sol e o dia tarda na melancolia
Chega a noite, mas a tarde tende a crescer
Vira o lado do vinil e tudo embala
No som no vento e na noite que englobam... O que?

Vai-se o som e tudo volta, tudo fica como tem que ser
As coisas pairam no tormento que nada faz
A vida segue, o mar abriga todo sonho,
Mas a verdade e a verdade, cadê?

sexta-feira, dezembro 07, 2007

A Bahia é Baêa o resto é o resto

Meu Bahia é pura História
Delirio de nossos corações
Há quem diga que só o passado é gloria,
Detratores de nossa Seleção

Meu Bahia se chama Baêa
Ouve quem entende nossos chavões
Tricolô-delirio de nossas cabeças
E também de nossas lamentações

Bahia é time de graça
Da nossa bahia que inda irá vingar
E mesmo abaixo e com o estádio em ameaça
O Seu futuro é puro brilhar

quarta-feira, novembro 21, 2007

meu verso nas ruas da cidade

Se o meu verso vai às ruas da cidade
E pergunta ao cobrador
Como vai ao largo do tanque
Eu não posso responder
Mas que invade meu coração e assim na contramão
Isso eu sei que ele faz

Meu verso é a intercessão entre o tudo e o nada de mais

segunda-feira, novembro 12, 2007

repeteco

Se as coisas se repetem
E o passado diz futuro
A verdade é que a vontade
É de sair desse clausuro

Se o ódio travado é que motriza
Essas repetições
A leveza de tua brisa também é uma danação

Mas se há alternativa e ela se revelar
O balanço que fascina irá em mim brilhar

quinta-feira, novembro 08, 2007

Dia a dia

Cada dia é uma vontade
Cada noite um bom tesão
A saudade um disparate
E as verdade falsidão

Cada sonho um desenlace
Cada lace uma prisão
Que só parto sem escalde
Para não cair ao chão

Cada vista terra avista
Uma conquista de antemão
Ecos do ão dessa visita
De palavras a meu céu

domingo, novembro 04, 2007

vida

Dormir e cansar
Enjoar
Enojar Sentir
E ferir E mentir

Viver conforme o que não diz
O sábio poeta e o bom aprendiz.

sábado, outubro 27, 2007

retrospecção

Caçar ratos
Caçar papos
Caçar vida

Encaçapa nossa angustia na ferida

Meu irmão dizia saruê
E eu ia matando sariguê
E imitando os mais velhos

Saudade deste tempo venereo

Meus amigos já muito estropiaram
Comigo contigo e consigo
Meus amigos já deram muito motivo
Pros mais variados motivos
De briga de Sina
De felicidade
E também dão motivo pra muita saudade

sexta-feira, outubro 19, 2007

É doze horas(à Inajara)

É 12 horas
Dizia um menino
E eu saia em desatino
Hora de bater o baba
Sai gurizada
Até eu mesmo dizia
Nada de perder tempo
E mulher não tinha espaço dentro

(Pode até parecer baixo astral
Mas são coisas de menino
Afinal quem nunca brigou pela quadra?
Quem nunca teve raiva de uma mulher ousada?
Que chegou primeiro e armou a rede de voley...)

E então sequer batia o time
Sempre era o escolhido
E saia invicto no final.
Foi ou não foi uma infância maestral?

segunda-feira, outubro 15, 2007

Poesia em prosofolia

disverso
meu verso
pra prosa em metros

metros e mais metros de prosa

me lembra meu avô...

É mesmo
e eu que já nem criança sou
adoro ouvir meu avô
que conta histórias...

comunismo stalinismo
ACM
prefeitos de municípios perenes
morte no carnaval
briga no seu quintal
sabedoria de rua
de pedreiro anistiado
petroleiro anistiado
sargento anistiado

(meu avô foi torturado
Mas não conte pra ninguém
suas verdades da ditadura
pertencem a ele e mais ninguém)

quarta-feira, outubro 03, 2007

mundo é mutua poesia

É que o mundo é mutua poesia
Beijos sem sons,
Calafrios ousadias
é sonho que tecemos noite e dia
E o fazemos ao fazermos poesia

Mundo é sumula da verdade:
O pensamento que desfaz nossa agonia
Mundo brinda com terrenos e saudades
Sacoleja a tarde e desespera o dia.
sempre a ser uma possibilidade
De se fazer outra coisa um dia

Mundo é muita beleza também muita iniqüidade
São desejos convergentes que divergem em sintonia
Mudo desejo de termos sua longevidade,
Pois o homem enquanto tal morrerá um dia

terça-feira, setembro 25, 2007

de mim exija saudade

De mim exija saudade
Nada de solidão
Coisa chata que arde
Destempero de um não

De mim exija desejo
Não sabedoria
Angustia em tom soberbo
Com toda sua ousadia

Enfim exija nada
Como boa meretriz
Nada de saudade
E teu desejo todo em mim

sexta-feira, setembro 21, 2007

Sobre o menino poeta

A introdução

os poemas que fiz até hoje
soaram baratos
agora sai um verdadeiro

O começo

o poeta menino
perguntou:
"como se faz poesia?"
o poeta grande respondeu:
"Com o fundo do peito
se fazem poemas",
mas foi no fundo do peito seu
que o menino poeta não entendeu:
"Se os peitos fazem poemas
onde se encontra o peito meu?"

Considerações poéticas sobre o começo

O poema sai das entranhas,
E tal como ser poeta
o poema sai das entranhas,
mas o menino que inda não é poeta
sequer possui entranhas

O intermédio

E assim o poeta nasceu
menino que foi cresceu
na duvida poética
que posta em versos
o amadureceu,
mas até hoje pergunta o menino
"onde se encontra o peito meu?"

Considerações sobre o intermedio

Ser poeta é ser projeto
futuro poema já feito
milhões de formas distintas
de ter o mesmo pleito

O fim

Menino pequeno
poeta projeto
Odisseia no espaço dos versos
que entre trancos e barrancos
se esvai em futuro incerto

Considerações sobre o fim

A jornada dos versos
é nada mais que versos e mais versos...

sexta-feira, setembro 14, 2007

Já está tudo programado

Já pensei nas palavras
Que lhe digo de começo

Já escolhi minhas mancadas
De primeiro namoro

Já pensei no poema de dia dos namorados

Já comprei a camisinha do nosso primeiro sexo
E metrifiquei o poema que lhe entrego depois

Já comprei o champagne...

Já tive pesadelos
Com nossa primeira briga
E já aluguei o filme
De nossas primeiras pazes

Já tive o primeiro desejo
Da futura traição
Até isso já tive

Já bolei as palavras
Que lhe trará de volta
E já pensei nas respostas
E nos nãos que virão

Já tive o choro que marcará nosso fim
E já bolei minha cantada pra a segunda namorada

quarta-feira, agosto 29, 2007

Ser louco é ser o mar
Abarcar o mundo em um olhar

mas não suportar

Em quadras digo vida

Se tarda a tarde chega
Se ficares noite vem
Se caminhas vida leva
Se apressardes finca além

Então se vives como deves
A de ter o que querer
Mas se quer a de não ver
Que não podes o que queres

Vai e vêm dos desandares
Que nos roga em branca lua
Porque o mal em teus altares
Finca e borda, pois flutua

domingo, agosto 26, 2007

versos do meu verso

Só consigo pensar em versos
Me consomem noite e dia
Verso a tarde, verso dia
Verso em toda sua magia

Verso no inverso do desejo
Minto nos meus versos por ensejo
Crio poemas vindouros
Esqueço os meus versos no bolso
Nos cadernos carreiam versos que não tive
E os que tive que não prestam mais
Em pensares repousam estrofes bonitas
Que não consigo materializar

Verso quando quero
Quando posso, quando consigo
Mas só verso se for bonito

Verso vomitando
Verso repensando
E polindo palavras, penso versejando

E quando canso meias- palavras canto
No meio dos versos também faço desencanto
E neste verso verso o que versei
E em anexo escrevo o que pensei.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Criar: verbo transitavel

criar
verbo hemorragico
em tempos de nosso tempo

descompasso do compasso

sentença pra novos ventos

cadente balanceamento
do novo pro ainda mais novo

do jovem o oxigenio

preceito que cria estorvo

sujeito que elide o velho

serpente corruptora
em tempos que ser moderno
é coisa avassaladora

domingo, agosto 12, 2007

verso/meu verso

Ser verso
É ser diverso
Do que lê
Do que escrevi

É algo mais concreto:
caminho pro já em si

Meu verso
vai disperso
pouco pensa
no que diz

Mas brinda no
sincero
caminhar que vive em mim

terça-feira, junho 19, 2007

Mar de versos

em meu delirar
há palavras pequenas
provindas ao mar
de arquejantes poemas

Na proa dos barcos
que circunavegam
infindos vercejos
em sálgadas leguas

Não há comandante
ou qualquer marujo
apenas um infante

poeta soturno
assaz delirante
neste mar dubio

sexta-feira, abril 27, 2007

Soneto II

não sei mais fazer poemas
e isso é verdade
e os versos que faço agora,
são só por iniquidade

não faço mais sonetos
como dantes fazia
e o que hei de fazer agora
será só uma alegoria

não repetirei,
nos tercetos,
essa retórica barata

e o que agora escrevo,
não é novo,
é uma piada

sexta-feira, março 23, 2007

Desalento do ex-marxista

revolução, palavra gasta
assim como povo,
aquele povo romântico, idealizado, utopico que nos faz lembrar che guevara

revolução
seus sons não mais ecoam por aí
suas roupas foram tragadas
o que nos restou foram vanguardas artísticas ultra-modernas
que andam fundindo cucas em tupi

A sensacão
É de que tudo haverá de ser como está
E que nossa maior invenção
será beber com os amigos e jogar bilhar

ahhhhh
essa revolução e sua alma humana, se foi
que nos restou
foram os 3 "w's" do computador

Todo carnaval tem seu fim (los hermanos)
(cantado)
Todo dia um ninguem josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha andada com fé
De quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer, mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo

TEXTO DE UM MONOLOGO QUE EU FIZ NO TEATRO ESCRITO POR MIM MESMO

sábado, março 03, 2007

Ouvi falar de estrelas

ouvi dizer de estrelas
na noite de quinta-feira
penosamente chuvosa

estrelas bonitas
que cintilam miraculosamente
pela manhã aos domingos,
desafiando a prismatização da luz solar
(e sem se debruçar)

olhei ontém estas estrelas,
por isso posso com precisão vos comunicar,
que são estrelas que amam mulheres e crianças,
mas quanto aos homens,
que vivem em seus enfurnados escritorios
sem admira-las saudosamente, pensando naquele beijo bem gostoso a luz do luar,
não posso dizer o mesmo

São estrelas românticas e caridosas que sentem pena dos desafortunados,
e chega a brilhar em marasmo quando há noites chuvosas
derrubando casas e mais casas de lares a pau e lona...

Ouvi dizer que são estrelas mais caudalosas que o rio amazonas,
as mais simpaticas de toda Via Lactea,
que não produz sempre com lascas e poeiras cosmicas intergalaticas
estrelas com capacidade de chorar...
Pois elas choram,
quase todos os dias pelos mortos na faixa de Gaza, São Paulo e Rio de Janeiro,
São até imbecís e melodramaticas, pois choram até por soldados americanos.

São estrelas pacífistas...

São grandes
maiores que helicopteros vistos ao longe,
mas menores que um avião em formas distantes
e são azuis
apesar das comuns insinuações pessoanas
que dizem-nas cintilar cores prateadas

Mas serão mesmo estrelas? Daquelas que brilham a noite interiorana e cintilam
coisas profanas?
Serão estrelas de verdade, mesmo com todo esse sentimento?
Com esse sangue correndo nas veias?
Não há como perceber,
Mas um dia haverão de entender, que estas estrelas torrentes e caudalosas
Sâo, na verdade, meu amor por você.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

coisas simples em dia de natal

São coisas simples
em uma noite de natal em dia quente
que se limite a quase sempre
a vida besta
sem dia frio
nem no natal.
nem no Rio.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

mutua poesia de você, mulher amada,
de olhares turvos em sua visão
sinuosamente mordaz, minha desejada,
em trejeitos sexuadamente vãos

afinal você me entorta à tua chegada
mulher amada
onde estupefato fico então

quem derá fosse minha nessa hora farta,
à espera de tempos bons

mas entretando prossigo sonhando com teu coração

domingo, janeiro 07, 2007

soneto

longe do seu perto
é estar perto de quase nada
até se ao menos eu soubesse
onde estás nessa madrugada

longe do teu longe
é quase que estar aqui
sozinho e quase calado
ou como preferir,

mas logo nesse verão
farei algo impressionante
um caso desmiolante

farei algo que não se faz
sendo o certo ou não,
mas isto não é nada de mais

sexta-feira, dezembro 29, 2006

mais um dia desses de lua cheia
rogo,

pelo simples ato de rogar

acomodo-me num banco
encrespado
de talhas e mais talhas,

e ouço do fundo do mar um zunido

no alumiar da matreira vida,
erguida
em ar e poeira de ferro

prossigo o caminho de matos podres e calcificados

penso no alto do cruzeiro infindavel,
inalcansavel também,
e interpelo por mais um dia de paz

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Sertão

o sol com seu arder lisongeiro
soltava rajadas de luzes incadescentes
em meio ao vento com suas lufadas intermitentes
que fazia voar galhos rangentes
enquanto os homens lavravam no canavial

a noite chegava de forma espessa
quando as crianças voltavam em tortuosos caminhos
cantando os mais torrentes pinhos
com apenas um a tocar viola
encarapitadas em cima de burros
que saculejavam num caminhar soturno

à madrugada o frio aluía
as juntas de antigos guerreiros
que outrora em tempos imemoriais
lutavam contra cães-de-guarda imperiais

e assim o vilarejo dormia
com casas em demasia
enfileiradas à espera do sol

segunda-feira, dezembro 18, 2006

nostalgia

a rua passa vazia
e nem penso em te-la a meu alcance
fico cá sentado
esperando que as coisas aconteçam
meio que em um desenlace
que me mostre algo de errante

o cheiro é-me estranhíssimo,
pois mal sinto sua feição
não que seja sinéstesico,
mas que o que me é de analgesíco
faz meus sentidos em leito
confundirem-se com minha visão

e os carros ainda não passam
afinal é domingo a tarde
e é tarde
para algo de mais acontecer

mas eu me vou e permaneço
sentado no mesmo lugar
e nestes versos longos
quem sabe me hei de encontrar

quinta-feira, dezembro 14, 2006

tranloucado

no agora,
o aqui é outro lugar
que eu possa
saír
e sonhar
com um mundo equidistante

no momento
o lamento
é desimportante
tanto no agora
quanto no antes
deu ter essa tranlocação

no instante
é estanque o desespero
em que o poeta matreiro
teima em poder sonhar
com um mundo um tanto roseiro

quarta-feira, dezembro 13, 2006

dos versos de verdade

gosto quando o ritmo corre
e o papel chega a amassar
da tamanha pressa que sobrevém

e é bom quando as mãos se cansam
mas os versos se mantém

melhor é quando paramos um pouco
relemos o já escrito
apagamos algo de torto,
e construímos um mais bonito

(são dos versos de verdade
que falo nesses escritos)

terça-feira, dezembro 12, 2006

nas tuas brandas calmarias nefastas
jaz meu leito profano
e não importa o tamanho do desengano
o engano é pranto,
que me chamarei

e me chamarei perto
tal como se faz quando se esta longe
não resistirei aos falsos jubilos de teu nome
mas não me entregarei
ao encouraçado estampido de tua buceta
e nem de tuas medianas tetas...

serei tal como sou e fui
o eterno ser
com uma mudança que me seduz...

segunda-feira, dezembro 11, 2006

não temeras mais o tempo
porque este quando passa não volta atrás
vive só o momento,
mas não sem se importar com os demais

semeias o vento onde possas colher
espera a nuvem coalhar de tanto chover
há de chegar seu momento
mesmo após todo esse tormento

o dia fará aparecer o sol novamente

domingo, dezembro 10, 2006

princípio

Você não me conhece
sabe da vida alheia, sim sabe,
mas não me conhece.
Príncipio, horas, vento.
o tempo é de duvidas.
Você não se conhece
mas precisa se conhecer?
não... o tempo é de duvidas
mas a vida prossegue...
sabe do vento, horas, sombra, ser, ou não
mas não o conhece
sabe da chuva, nuvens, vento
mas seu tempo não conhece
não conhece a vida, a lombra, o sol
mas mesmo assim tece.
sem sentido eira nem beira...
mas assim mesmo tece...
o tempo é de duvidas, lombra, lua
você não me conhece
sabe do jogo, competir ganhar, ou não
mas a vida prossegue...
sombras, vento, medo...
o sol de manhã aparece,
mas e daí?
foi-se o sol, o mar, a luz, a vida
restaram o tempo...
e a poesia

quarta-feira, dezembro 06, 2006

recado ao mundo

não é por eu ser um poeta
pequeno de fim de sábado
que não posso lhe contar
metade de umas verdades:

Mundo dos loucos ou não

me digas porque é injusto
e quantos homens lhe são caros,
mas fale por intermédio
de Deus, que é meu padastro,

Mas você não vale o prato
que come
(ou já comeu)
por ter dado espaço ao homem
te ter em inigualdade

"o mundo não vale o mundo"

Me digas porque a noite
deixa os buracos que tens em visto
assolar nossas mulheres
com seus homens malditos,
que talvez por um não dito
deita-se acima delas
e rola
num rala-e-rola
malfadado à prisão voraz

mas isto já é mais que um terço,
mundinho,
deste poema que fiz sem vinho,
ao meu lado pra intoxicar-me.

Meu mel enegreceu
sobro este fel em versos feitos
a boca da noite escura
(na frente do computador,
que ainda te perdura)
mundo de horrores à candura

não teime em justificar
que a culpa é só dos homens
que vivem a te maltratar

e ainda acharei o poeta
(que disso só tem os metros)
que a vós falou, mundo desnudo,
"serás do que o homem fizer"

não há como acreditar
sem até mesmo pre-julgar!
tal afirmação
oh mundo desnudo
ao menos abaixe o preço do pão

domingo, dezembro 03, 2006

dadiva

Horas ao vento relva a tarde desta manhã
e eu ao relento penso no enclaustro da tal da terçã

poesia infinda finda a curva desta cidade
e nessa loucura penso em ter uma nova vaidade

drogas amargas acabam com muito de meu tempo
e nesse intento penso em parar até de beber

mas e daí?
na mais hercúlea manhã do proximo domingo
pensarei no que fazer.

sábado, dezembro 02, 2006

Mamãe, estás chorando?(à Brisa)

mamãe coragem
eu não sou mais aquela menininha
sinto muitas saudades
de quando comigo se comovia

Será que ainda vemos novela?
Será que ainda damos risada?
Será que ainda gostas de chico Buarque?
(a flor da pele)

Mamãe não sinta saudades
encare agora como sou aqui...
minha mãe eu não sou mais daquela idade
por favor...
me entenda
Não sou como a ti...

quinta-feira, novembro 30, 2006

as minhas retinas estão cansadas,
já não enxergo tão bem
e tenho apenas dezesseis anos

o meu amor inócuo
ainda teima em dormir
amor fraternal
que me faz desistir

e choro
as vezes de cansaço
e canso as vezes da solidão
sozinho percebo o gemido
por mim pelo teu não

então sinto o frescor da noite
em pleno dia maestral
ensolarado de raios fulgidos,
estilhaçando meu falso quintal...

É a vida que deus me deu,
que grita por causa do sonhos,
pequenos que são meus
(Meu deus, quando vai perceber que Jesús foi tão homem...
Quanto este filho teu)

quarta-feira, novembro 29, 2006

O oficio do poeta

trabalhar com as palavras
é o nosso oficio
e nos custa caro

silabas tônicas são toneladas
que nos assustam pela raridade na hora nescessaria
onde o poeta vai a porta
do reino das palavras e não encontra nada

resta invadir e pedir
só uma resposta...
qual é o nosso oficio?

é o nosso oficio
de lutar a cada dia

uma palavra!
duas alegrias!
três verdades; talvez uma...
Mas as vezes Deus com seus desmundos
fecha o mundo das letras e palavras
e diz:
"não poetarás agora"

clamo pela palavra
reclamo
"é meu ofício!"
mas não adianta reclamar
as palavras não nos vem
temos de procurar

as vezes é díficil
"estás sem inspiração",
mas esta é outra história...
Pois quando esta nos aparece
as palavras destroem a hora torta
e nos vem
como que de supetão
e fazem um poema
bom e aluvião

é meu caro
falei de inspiração...
e do oficio?
este nos custa a mão
(que de tanto escrever me dará l.e.r,
[lesão por esforço repetitivo])

sexta-feira, novembro 24, 2006

Ao amor duvidado

as almas assumem,
assaz atadas,
algo acabado
assim alarmado
amor alquebrado
assume algozes amavelmente...

quarta-feira, novembro 22, 2006

poeta baiano

poeta baiano
mal interpretado
leitor de alguns insanos
e outros menos difamados

poetinha baiano
ainda em formação
no futuro proximo
no dia da explicação

leitor de versos drummonianos
e de Damário da Cruz
poetinha baiano
que ainda crê em Jesús

domingo, novembro 19, 2006

O que vi e não quero te contar

Desde já ou desde antes
não importa se percebi
eu nem me lembro ao certo quando,
mas sei que vi e re-vi

não era fato consumado
nem muito menos assunto pedante
também não era caso raro
era como um alto-falante

meu amigo também viu
não se importou nem um pouco
não era de sua feição,

mas a mim me consumiu
pouco a pouco o coração
morto já de antemão

sábado, novembro 18, 2006

dia de baba
chingamentos carregados de nada.
No final?
Foi sete a cinco
e o meu blog Ficou sendo diário....

por minutos infindos

sexta-feira, novembro 17, 2006

ninguém entende do amor
só o amante...
e só ele e apenas ele
sabe porque este anda errante

o poeta não é letrado
as palavras saem como são
e o amor por ser uma a mais
anda girando em vaguidão

por isso nego atenção
e penso que amar, na verdade,
é viver sem ter solidão

afinal quem nesse mundo,
que anda desconcertado,
não sofreu desta ilusão?

quinta-feira, novembro 16, 2006

Cidade do Salvador

és teu nome companheiro que tens aqui
entretanto mal versas sobre ela
esqueceu-a
em tuas leituras mal fadadas e tuas parabolas delirantes

No entanto ela prossegue infante
aguardando a cada instante um sinal, misero(que seja!),
de tua salvação.
Na ponta de cada farol
na proa dos barcos atracados no porto
nas vielas encimesmadas de teu centro impressionante
e nas passadas cansadas de teus andantes

em 1930 Campo Grande pouco tinha de tua maestria,
de teus encolossados edifícios e e de tuas fontes jorrantes.
Campo Grande ainda não era grande, mas era ele, intacto
aberrantemente igual em estílistica.
As pessoas passavam,
ainda em menor grau, mas talvez com parecidos sentimentos
e com parecidos passos,
cansados da labuta intensa da cidade grande

Salvador dos versos novos já não tem mais sete portões,
já não tem padres canibalizados
(talvez pedófilos engaiolados)
Jà não tem Igrejas como principal morada
e nem no pelourinho,
negros não tomam mais chibatadas,
mas entretanto continuas feia, Salvador,

o suburbio ferroviario mal utiliza seu trem e suas praias?
não mais comportam ninguém...
Sua região norte mal é vista como sua parte, tendo até jingles politiqueiros,
que se aproveitam das tuas miragens...
Salvador dos versos novos permanece igual, mas diferente em numero e grau
e espera, até não sei quando, a construção do metrô...

domingo, novembro 12, 2006

no mais Pessoano verso...

pungitivo enclaustro branco
incalto encejo impuro
finado poema estanque
manifestamente obscuro

novo e pungitivo insumo
em seu eleito e seguro
caminho que arde no meio
ao caminhar pelos muros

E assim poetamos caminhios
no meio dos nossos passos
durante nossos espaços.
Nós poetas Pessoanos...

segunda-feira, outubro 09, 2006

Eu

Sò um garoto de dezesseis anos
perdido no mundo,
entre tantas frases, gracejos e poemas
sozinho por ter de andar só...

Acaso a vida é uma jornada?

O que faz deste poema poesia
não é o seu gracejo,
e sim sua falta de coragem
no fundo, no fundo, no fundo
és tão idiota quanto qualquer outro

E tão impuro quanto sua culpa imbecil.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Esses tempos

novo tempo
ampla forma
nominalmente aterrorizante.
Brasil como nova norma
de catetos equidistantes

Simbiose multipla de forma
perene. Só mais um sinônimo
de negação. Sabedoria inversa
Nova promessa
de revolução.

Será essa eleição?

sábado, setembro 23, 2006

O passo e o compasso II

Passe o compasso no ato do passo,
pois passo sem ato não é decisão
não ligue se o ato do passo for falso,
pois falso e não falso é só decisão

Escolha o caminho que te siga e persiga
não só o caminho que te aplaque àflição
pois em meio ao sentido de cada caminho
há letras cerradas do vinho ou do pão

Há escolhas e escolhas entre as tentativas
por um s(c)em-motivo de falta de amor
afinal se um anteparo se torna vazio
é porque bem no fundo o calor dissipou

sexta-feira, setembro 22, 2006

cansaço

me dá um pouco do teu caminho
que este já tá meio chato
espetaculo meu de todo dia
dança com sono de toda tarde
acrósticos bem feitos
poemas vercejados em forma de paz
assaz aberrante

saudade dos tempos da lua,
mas está já ficou nova,
tão nova que nem mais reluz

reluzir nos tempos da lua
com madeiras podres e calcificadas
aberrante matéria de pouca piada
falar, falar, falar
vida besta, sonho nenhum;
verdades e mais verdades...

posso me cansar de procurar?

quinta-feira, setembro 21, 2006

venereo

poetar pelos ouvidos
na aula de matematica
difere do empedernido
sentido entrecortado

e com os os olhos no chão
sigo
não te venero
silêncio mal-disfarçado
do meu sentimento venereo

terça-feira, setembro 19, 2006

qualquer saudade

no dia da vida amarga
vivo a procura de paz,
mas a paz é sempre retorcida

no dia ruim do domingo
pergunto quase sem jeito,
cem dias que batem em meu peito?

no dia quase amargo
pergunto se haverá guerra
respondem-me que não

digo graças a deus?

sábado, setembro 16, 2006

menina da pele branca,
dourada de tanto sol,
pergunta ao menino moreno,
quase morto de tanta lua

- Tanto poema, tanto desandar, na verdade o que será?

menino calado
responde abafado

- nada não, nada não

quinta-feira, setembro 14, 2006

RIO DE FOGO (Tyko, 14/09/05, meu pai que por sinal tem a manha de escrever como podem ver ai)

RIO DE FOGO
Tyko, 14/09/05

Planto-me meio amedrontado
No teu ser,
Procuru-te
Como um cão faminto,
Marco o teu corpo com cruzes de fogo
Forjadas pela minha boca!
Fiz-te vertente dos meus líquidos,
No leve rosado dos teu lábios,
No longo negro dos teus cabelos
Me abato num gozo louco e infindavel!
Fizeste fugir as sombras,
Acabar o estio.
Você me tornou uma flexa,
Que te penetra em todos os lugares
E em todas as direções e sentidos.

quarta-feira, setembro 06, 2006

O amor não pode morrer,
mas falta espaço pra ele
vive-se de tal forma que a sua forma de expressão
é na verdade um limiar de depuração

"o amor comeu todos os meus cartões de visita"

não sinto-me constrangido em lhe dizer que te amo
não,
na verdade à amo demais
e a culpa dessa merda toda
é a absoluta falta de humanidade dos nossos pais

"o amor comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome"

Na poesia encontramos calma
mas tanta calma que que me deixa irritado
pois a calma que encontramos
é a calma das almas encalacradas
viver é ser.
poder é já consumicão
tristezas engaioladas
que entretem nossa solidão

Ter é ficar rico
rico de sí mesmo por convicção,
mas também é medo de outros caminhos
que se engajam na nossa visão

meus sentidos são esquadrinhados
e o serafismo de nossos destinos
são ao mesmo tempo encouraçados

ou estilhaçados por nossos desejos,
gracejos
que nos entretem por falta de paz
a paz que não faz parte da nossa viagem
de ter rimas e lutas encartes
pra uma luta maior
que iremos de mãos dadas?

terça-feira, setembro 05, 2006

Ao amor

as almas assumem,
assaz atadas,
algo acabado...

assim alarmado
amor alquebrado
assume algozes amavelmente...

segunda-feira, setembro 04, 2006

Sentido Inverso(pode ser de qualquer um, mas quem fez foi Damário Dacruz)

Inutíl o verso
na busca de você.
Se
teus ouvidos
escutam o que não digo.
Se teus olhos
miram o que não avisto.
Se teus labios
dizem o que não traduzo.
Se teus dedos
tocam o que não alcanço.
Inutil o verso
na busca de você
Se
o meu amor
Não grita
não vê
não fala
não pega
os teus sentidos.
Inutil você.

domingo, agosto 27, 2006

vomito estes versos
pra não te entregar
menina linda que me fez ver:
a saudade é sílaba tônica do sonhar.

Enquanto isso?
agente vai levando...
com rezas, presas e vitrolas
ouvindo Jorge Ben aos sábados,
ou tocadeiras de viola

então peço-te, humildemente,
permissão...
perpassa em minha cabeça
algumas duvidas...

Será que sua saudade é verdadeira?
Não...

Preciso de um tempo...

e de uma vida sem culpa

quinta-feira, agosto 24, 2006

Mais força
foi melhor
mesmo fingindo, mentindo...

mais firme
menos facil
feitor maldito
mal falado

minguando minha fala falocêntrica
maldizendo minha fulgaz frequência
mentindo
mesmo fingindo...

menino minguado,
falseando fechado
minha felicidade faraônica,
metaforizada falsamente...

quarta-feira, agosto 23, 2006

Traduzir-se (poema de Ferreira Gullar muito bom)

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

segunda-feira, agosto 21, 2006

Via Magia(ou uma forma de voltar atrás)

o que nos dá nessa escola
que a saudade é constante
que o amar é pedante
que o poeta é sincero

o que que há nessa magia
que nos traz alegria
só de estar lá

eu pensei em fazer um soneto
mas este é preso demais
então lembrei que a saudade
é uma forma de voltar atrás

mas então poeta,
que fala sozinho,
escolha um caminho:
só um caminho!
já não podes voltar

escolha um problema
escolha uma solução
não têm mais sentido;

viver nessa solidão

quinta-feira, agosto 17, 2006

desabafo sem nome e impossivel de nomear (um desafio aos psicanalistas)

a morte mar e furia

no norte

da tua candura

suporte

das estruturas

escolte

o que te usura

não folgue não lenha a dura

não solte não siga a cura

se enforque nas pestilentas

nem sobre nas tuas horrendas

maldades do meio-dia

terça-feira, agosto 15, 2006

pra voltar com mais coragem?

aqui estou eu
no alto do condomínio
buscando raízes intoxicadas
e madeiras podres de fim de sábado

Pensei em fumar um cigarro

Assim meu deus pergunta
que duvida?
pois nos montes mais altos
É que o vento sopra forte
mas não me dá coragem

É que meu verso pergunta primeiro
matreiro,
mas por falta de aconchego, emudeço.
E emudecido hei de ficar

segunda-feira, agosto 14, 2006

poema exato

Não tem mais sentido.
O verborragico sentido mudo,
que surdo...
pensa que fazer
é saber que sabe o saber
errado.
Calado
prossigo sentado
e penso que quatro horas tenho teatro

domingo, agosto 13, 2006

Na noite mais rubra de um menino calado

na hora mais finda
da noite mais linda
que o sol consumiu
resplandece a coragem
que o coração repartiu

Na noite mais clara
da agua salgada
que ainda teima em achar
por estrelas no amar
sequer se pergunta:
Se o dia calreou...

No sol mais bonito
que caiou sobre nós
desmanchou na cegueira
e ficamos sós

segunda-feira, agosto 07, 2006

não tem solução
o barco navega
o sonho se apega
a podridão
de rimas fracas
de letras cálidas
de sonhos sem nó
temendo o pior:
desabrochar das flores,
temendo o mais louco:
alucinar das sementes
e mesmo sem inspiração
sem letras vindouras
sem coisas amargas
sem cheiro de nada...
eu vou prosseguir

sozinho

sexta-feira, agosto 04, 2006

passada a hora proposta
pro sonho realizar
meu peito aquece a boca
e me faz querer falar

- O quê?

não é a alma estrabica
o coração repartido
a sua solidão(porque não?)
não é o meu sonho sem nexo
meu amor em anexo(obrigado anadora)
meu canto fulgaz...
não é o singelo desejo
o culpado gracejo
a minha liberdade...
(ou tua saudade?)
não se trata deste poema
de tua vida pequena
desta merda sem paz
assaz...
gritante e mal cheirosa
que em dia de rima sem prosa
me faz ter de gritar
(te quero?)

quarta-feira, agosto 02, 2006

Além da Marxa (Epopéia de uma poesia)

Ainda que seja inóspito,
hospitaleiro e boçal,
o meu poema não passa de nena
quase-poema épico-banal

reune em si algo de nada,
O tudo deixou escapar.
Lendario esquema de manter-se a cena
juventude no intuito de mudar

Rigidez plástica onomatopeia,
bumbumbun claclacla
idílico de falar das moças;
do fundo do beco no além do além-mar

Não costuma ser sempre poesia:
fusão, união, penar.
Não procura mudança de forma
e o conteúdo chegou sem chegar

legado de som tropicalfernalha,
nem se importa com o que há de será,
É geral do vandréguardista
Na pista!
da raive pulsar...

ligadão de ser surfista
broto, maronha, fuder sem fumar
Camisa de colo morena da lista
biquini sinistro e sem se importar

homens sem visto e nuzinhos no mar
petrificando a visão de quem não quer se vê
Rimar perfeitas, além de 'm' e 'a',
na singela tentativa de ter algo em você

Mudanças de tom
No saber axioMarxico
Que o conteúdo é que passa
com um som mais-legal

terça-feira, agosto 01, 2006

a pergunta que não quer calar

Era um grupinho de meninos, de uns 9 a 10 anos, jogando conversa fora(se é que se joga conversa fora com essa idade) e acreditem! Já falavam de mulheres... É meu caro hoje em dia já não se tem mais idade pra essas coisas não, só não falavam sobre sexo porque não sabiam o real significado de ter um pau(não tinham, como eu, puberdade precoce). Papo vai, papo vem, até que um pimpolho solta um peido, desses que são raros: altos e fedidos. No momento houve aquela geral gargalhada, uns taparam o nariz, outros bateram na bunda do infeliz na tentativa, fracassada é claro, de acabar o fedor: não se enganem, eles ainda são apenas menininhos de uns 9 a 10 anos. Até que num instante luminoso, desses que se abatem numa conversa e todos têm o mesmo pensamento, mesmo sem perceber isso na situação(é, acontece na conversa desses meninões também) todos ficaram calados, matutando com seus botões e criando suas pequenas-grandes duvidas... Mas foi só um, corajoso e destemido garotinho, que fez a criativa e famigerada pergunta que pousara nas cabeças (não tão) inocentes de todos os mini-garotões presentes na situação:
- Será que elas cagam também?
Não houve resposta, e desse dia em diante foi-se descoberto(ou decretado) o motivo, porquê todos os homens duvidam de sua masculinidade.